O Quarto Mandamento é RECÍPROCO

Algumas pessoas contrárias aos Arautos costumam invocar o Quarto Mandamento (Honrar pai e mãe) em situações nas quais os filhos parecem querer ficar independentes.

Realmente, é ÓBVIO que os filhos devem honrar os pais. Mas o que pouca gente sabe é que o Quarto Mandamento também obriga os pais a honrarem os filhos…

E quem diz isso é ninguém menos que o Santo Padre João Paulo II, na Carta Gratissimam sane, publicada por ocasião do Ano Internacional da Família. Vejam só:

“O Quarto Mandamento põe exigências também aos pais. Será unilateral o sistema interpessoal indicado pelo quarto mandamento? Ele só empenha os filhos a honrarem os pais? Em sentido literal, sim. Indiretamente, porém, podemos falar também da “honra” devida aos filhos por parte dos pais. “Honra” quer dizer: reconhece! Isto é, deixa-te guiar pelo convicto reconhecimento da pessoa, da do pai e da mãe primeiro, e depois da dos outros membros da família. A honra é um procedimento essencialmente desinteressado. Poder-se-ia dizer que é “um dom sincero da pessoa à pessoa”, e neste sentido a honra desemboca no amor. Se o quarto mandamento exige honrar o pai e a mãe, fá-lo também em atenção ao bem da família. Mas por isto mesmo, põe exigências aos próprios pais. Pais – parece recordar-lhes o preceito divino –, agi de modo que o vosso procedimento mereça a honra (e o amor) da parte dos vossos filhos! Não deixeis cair num vazio moral a exigência divina de eles vos honrarem a vós! Em resumo, trata-se de honra recíproca. O mandamento “honra o teu pai e a tua mãe” diz indiretamente aos pais: Honrai os vossos filhos e as vossas filhas. Eles merecem-no porque existem, merecem-no por aquilo que são: isto vale desde o primeiro instante da concepção. Assim este mandamento, ao exprimir a união íntima da família, põe em evidência o alicerce da sua solidez interior

(SÃO JOÃO PAULO II. Gratissimam sane, n. 15, 2/2/1994: AAS 86 (1994), 896).

 

6 comentários sobre “O Quarto Mandamento é RECÍPROCO

  1. São Francisco devolveu ao pai até a roupa do corpo e nem por isso se pode dizer que ele pecou contra o quarto mandamento, pois ele preferiu primeiro honrar seu Pai celeste e seguir sua vocação religiosa.

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  2. Também acho! A briga pela verdade deve ir até às últimas consequências! Essa história de ficar por baixo, com medo de um olhar ou palavra que condena tem um nome: COMPLEXO DE INFERIORIDADE ou, usando a terminologia do grupo, microlice! Nada pior do que ver o bem levando sova de filhos das trevas!

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  3. PAIS E VOCAÇÃO RELIGIOSA
    Palavras de S. Afonso Maria de Ligório:
    “Persuadamo-nos de que, no que respeita à escolha de estado, conforme a palavra de Jesus Cristo, são os próprios pais os inimigos mais temíveis: Cada um terá por inimigos os da sua casa. A isto ajunta: “Quem ama o seu pai ou a sua mãe mais do que a mim, não é digno de mim”.
    “Não se compreende! Se um jovem, movido por uma vocação divina, quer entrar em religião, — que não fazem então os pais, por paixão ou por interesse da família, para o afastarem dum estado a que Deus o chama! Entenda-se bem, um tal procedimento, como ensinam em comum todos os doutores, não pode escusar-se de pecado mortal; leia-se o que escrevemos na nossa Teologia moral (l. 4. n. 77). Neste caso, os pais tornam-se duplamente culpados: 1.º, pecam contra a caridade, pelo grande mal que causam àquele a quem Deus chama, pois comete uma falta grave qualquer pessoa, embora estranha, que afasta alguém da vocação religiosa; 2.º, pecam contra o amor paternal, porque os pais que têm a seu cargo a educação de seus filhos, estão obrigados a procurar-lhes a maior vantagem espiritual. Há confessores ignorantes que, — aos seus penitentes que querem abraçar o estado religioso, — insinuam que devem nisso obedecer a seus pais, e renunciar à sua vocação, se eles se opuserem a ela. É seguir a doutrina de Lutero que dizia que os filhos pecam, quando entram em religião sem o consentimento de seus pais. Tal doutrina é contradita por todos os Santos Padres e pelo Concílio 10 de Toledo, onde se decidiu que é permitido aos filhos, passados os catorze anos, fazerem-se religiosos, mesmo contra a vontade de seus pais. Sem dúvida, são os filhos obrigados a obedecer a seus pais. em tudo quanto respeita à educação e o governo da casa; mas, quanto à escolha de estado, devem obedecer a Deus, e escolher o estado a que ele os chamar.
    “Quando os pais quiserem fazer-se obedecer também nesse ponto, devem os filhos responder-lhes o mesmo que os apóstolos responderam aos príncipes dos judeus: Vós próprios julgai se é justo, aos olhos de Deus, obedecer antes a vós do que a Deus”.
    “Ensina expressamente Santo Tomás que na escolha dum estado, não estão os filhos obrigados a obedecer a seus pais e ajunta que, quando se trata da vocação religiosa, os filhos nem mesmo estão obrigados a tomar conselho com os pais, que, ao verem feridos os seus interesses, são antes inimigos do que pais. Como diz S. Bernardo, antes querem ver os filhos condenar-se com eles, do que permitir-lhes que se salvem sem eles. Pelo contrário, se vêem que um filho, fazendo-se padre, pode ser útil à família, — que esforços não fazem então para que se ordene, a torto ou a direito, embora não seja chamado por Deus! E que gritos, que ameaças se o filho, sensível aos remorsos da própria consciência, recusa receber as santas Ordens! Pais bárbaros, e antes homicidas do que pais, vos chamamos com S. Bernardo! Mais uma vez, desgraçados pais e desgraçados filhos! Quantos não havemos de ver no Vale de Josafat que serão condenados por causa da vocação, visto que a salvação de cada um, como acima demonstramos, está dependente da fidelidade em seguir a vocação divina!”
    Transcrito de A Selva – Dignidade e Deveresdo Sacerdote, de Santo Afonso Maria de Ligório, Part I, Cap. Da vocação ao Sacerdócio, item II – Sinais da vocação divina ao sacerdócio

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  4. Uma coisa posso dizer: a clareza que esses ex-arautos expõem é precisa, esclarecedora e coloca tudo em aberto. Não entende quem não deseja saber e praticar o correto…

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  5. O grande problema dos Arautos é o que acontece com a maioria dos grupos católicos. São muito fracos na hora de revidar calúnias. É o colocar “a outra face” mal compreendido. Eles ficam com medo de ser contundentes e terminam sendo saco de pancadas de tudo o mundo. Se percebe uma falta de unidade nesse sentido. É o medo de levar os caluniadores, sejam mães ou quem for, aos tribunais.

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    1. Também acho! A briga pela verdade deve ir até às últimas consequências! Essa história de ficar por baixo, com medo de um olhar ou palavra que condena tem um nome: COMPLEXO DE INFERIORIDADE ou, usando a terminologia do grupo, microlice! Nada pior do que ver o bem levando sova de filhos das trevas!

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