Ordo de Costumes

Dando continuidade ao nosso costume de apresentar um ponto de vista isento de rancor sobre essa instituição da qual fizemos parte, vamos tratar hoje do assunto ‘Ordo de Costumes’.
Segundo vozes da ‘oposição anti-aráutica’, o ordo de costumes seria um manual por onde “o membro do movimento condiciona seu comportamento ao ponto de se tornar um verdadeiro robô“, gerando um “obsessivo desejo de se tornar igual ao fundador, perfeito nos hábitos, costumes e gestos“, em algo que seria um “manual de conduta totalitário“, pois promove uma “invasão da intimidade“, não permite um “mínimo direito a individualidade” e torna “todos iguais em absolutamente tudo“.

 

Dizem também que “uma das razões da TFP perder o apoio do bispo Antônio de Castro Mayer foi exatamente a existência dessas casas religiosas irregulares chamadas êremos“, nas quais o ‘ordo’ era praticado.

Já que nos meios de divulgação deste pessoal não temos voz nem vez, pois os comentários discordantes com seu ponto de vista são SEMPRE censurados (coisa que não fazemos com os comentários aqui), vamos contradizer essas afirmações usando este nosso espaço.

Antes de começar, gostaríamos de dizer que, hoje, olhando para trás, vemos que o fato de a TFP ter perdido o apoio de Dom Mayer acabou sendo benéfico para essa entidade, dada a situação desastrosa na qual ele tristemente se meteu pouco tempo depois – e que dispensamos de detalhar aqui. De qualquer forma, isso nos dá uma pista sobre que tipo de gente está orientando o pessoal da “seita anti-Arautos” – afinal, citam como autoridade um prelado que morreu sob excomunhão e sem sinais de arrependimento ou desejo expresso de reconciliação com a Santa Sé…

Quanto à existência dos êremos (nome dado internamente aos centros de vida comunitária), eles foram justamente os lugares onde germinou a vida religiosa na TFP, e que, por isso, atraíram a maior parte das vocações autênticas, que depois formariam os Arautos.

Para esses êremos, foi elaborado um primitivo ordo, que, depois de algumas modificações, foi aplicado a quase todas as casas da então nascente associação dos Arautos.

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Após a constituição canônica dos Arautos, esse antigo “ordo” foi substituído pelos “Usos e Costumes”, que foram feitos há alguns anos, e são inclusive vendidos ao público na livraria Lumen….portanto, nada possuem de secreto.

Alguns antigos mestres de vida espiritual diziam que um Ordo de Costumes se assemelha a um corrimão: impõe limites, mas com o objetivo de impedir que alguém caia fora da escada, enquanto a decisão de subir ou descer continua sendo da pessoa.

Nesse aspecto de ‘corrimão’ se enquadram vedações como “estabelecer contato com pessoas do sexo oposto, o acesso aos jornais, sites, tv e internet vedados, a recomendação de nunca sair só“, etc. São coisas que, aliás, podem ser encontradas em disposições de outras instituições da Igreja e não significam mais do que medidas de prudência – uma das quatro virtudes cardeais – para quem almeja a perfeição. Todos nós conhecemos a ‘terra’ da qual somos feitos. “Vigiai e orai para não cairdes em tentação” (Mt 26, 41), disse Jesus, e este ensinamento foi seguido pela Igreja ao longo dos séculos, plenamente consciente das fraquezas da carne… Mas claro que, hoje em dia, em que raramente se acredita sequer na existência do pecado original e das suas consequências, tudo isto pode parecer realmente anacrônico, totalitário, enfim, quantos outros adjetivos quiserem.

Quanto à regulação de atos triviais, não havia no ‘ordo’ um objetivo de ‘controlar’ a intimidade, e sim de fazer com que a pessoa adquirisse uma rotina que possibilitasse uma elevação da mente até assuntos mais importantes – que ficariam a critério da própria pessoa.

Isso acontece quando, por exemplo, estamos fazendo uma caminhada na rua, e estamos com a cabeça ‘viajando’ em outras coisas – já nem pensamos em como dar os passos, pois é algo que virou ‘segunda natureza’, um hábito, rotina.

Temos aqui dois trechos de reuniões do Mons. João (quando ele ainda não era padre) narrando de onde vieram certas ideias do Ordo:

“Eu me lembro que o Dr. Luiz Nazareno, em 1960 e pouco, me contou esse episódio:
— Sabe, o doutor — porque naquele tempo era “o doutor” — em 1950, um dia me disse isso, veja que bonito:
— Luizinho, como é que é o seu levantar de manhã, é constante?
Então eu disse para ele que um dia era assim, outro dia era de outra forma, que eu era mais ou menos de acordo com o modo que eu acordava, com mau humor, e ia levando o dia assim. Ele me disse:
— Luizinho, você tem que pôr sua vida em ordem e você tem que estabelecer uma rotina no seu levantar, de tal forma que seu levantar seja o mesmo todos os dias e você passe a fazer sua toilette, você passe a se aprontar de manhã de maneira a constituir para você uma segunda natureza. Você sabe que eu desde criança tenho um modo de me levantar que é o mesmo. Meu banho, minha toilette, etc., é a mesma todos os dias e eu fiz isto, eu adquiri esse hábito porque assim, nessas horas, eu posso ficar pensando em outras coisas e não preciso estar me preocupando com esses afazeres tão miúdos e tão pouco importantes. Faça isso, Luizinho, que você vai ter tempo depois para pensar em muitas outras coisas enquanto você se prepara de manhã. (Jour le Jour, Tenda da Glória – Êremo Præsto Sum — 4ª feira, 19/4/2000)

   Em outra ocasião, ele completou o significado:

“O Sr. Dr. Plinio deu-lhe [a Dr. Luizinho] um conselho em 50:
— Por que você não faz uma rotina bem exata e transforma isso num hábito de tal forma que as coisas materiais como o pentear-se, barbear-se, sejam feitos numa certa sequência? De forma que você adquirindo uma segunda natureza nesses atos todos, e fazendo-os sempre iguais, iguais, iguais, você fica com esse momento para você poder pensar.
É o ato concreto de barbear-se, é o ato concreto de escovar os dentes, é o ato concreto de pentear-se, banhar, dormir, levantar, vestir-se que é feito de acordo com um Ordo. No começo é evidente que causa estranheza, eu estou acostumado a apanhar o sapato como ele aparece diante de mim e calçar o pé esquerdo ou direito. Depois eu vou ser obrigado a enfiar primeiro o direito, depois o esquerdo e na hora de tirar, eu tiro primeiro o esquerdo e depois o direito. No começo até acostumar… mas a partir do momento em que eu acostumei, eu infundi no gesto de calçar as minhas botas, ou os meus sapatos, eu coloquei uma ordem, eu coloquei uma disciplina. Isso tudo vai se transformando numa segunda natureza e eu vou fazendo isto já, sem perceber. No dia em que alguém, convivendo comigo, percebe que eu tiro primeiro o esquerdo e depois o direito, e que eu visto primeiro o direito e depois o esquerdo. Uma vez, duas vezes, três vezes, e tem um ‘flash‘:
— Puxa, é sempre igual.
Sobretudo quando ele souber que existe um Ordo determinando isso.
[Exclamações]
Eu, transformando em hábito todos os meus gestos, todas as minhas atitudes, etc., eu vou, com isso, adquirir o que? Ouçam:
As ações regulamentadas por ele [ordo], à força de serem repetidas constantemente, com naturalidade e minuciosa fidelidade, vão se transformando em hábitos. Adestram os reflexos, modelam o temperamento e fazem adquirir uma como que segunda natureza.
(Jour le Jour, Tenda da Glória – Êremo Præsto Sum — 6ª feira, 14/12/01)

   Aí está o sentido do Ordo quando ele dispõe sobre tarefas triviais. Nada a ver, portanto, com ‘totalitarismo’ e ‘controle de privacidade’ – até porque, nos momentos de privacidade, somente o indivíduo presencia o que ele faz. E ainda com relação a uma suposta ‘robotização’, temos clara lembrança de que, nos Arautos, para além desse padrão de conduta comum, existe sim muito respeito e valorização das individualidades. Basta ter vivido lá dentro para saber o quanto isto é verdade.

Os opositores andam mostrando também trechos de um outro ‘ordo’, o que, segundo eles, confirmaria a possibilidade de existirem dois tipos de Ordo (um que realmente vale internamente, e um outro ‘amaciado’ que é mostrado para o público em geral). Mas esse ‘outro’ ordo que eles apresentam é na verdade alguma regra que estabeleceram em casas do setor feminino. Provavelmente são normas internas de alguma comunidade da ‘ordem segunda’, que aliás chegam a ser simpáticas – algumas penitências comprovam claramente que ele foi escrito por mentes femininas, se é que nos entendem…

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No mais, para quem interessar, disponibilizamos, na íntegra, o texto do primeiro ‘Ordo’ dos Arautos: Ordo AE – Copia.

Se você sempre quis saber detalhes da rotina interna dos Arautos, aí nesse link está uma oportunidade de saber.

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16 comentários sobre “Ordo de Costumes

  1. No tempo da TFP,morei muitos anos no Êremo de Jasna Gora e pratiquei o Ordo de Costumes.Sempre gostei desse Ordo e nunca tive nada a me queixar de alguma dificuldade de praticá-lo. Sempre achei natural haver um Ordo de Costumes numa entidade que tinha mais aspecto religioso do que civil.

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  2. As pessoas da seita anti Arautos não coerência nenhuma. Esses dias, escutei o áudio de uma mãe que reclamava que as crianças dos Arautos “tem uma alimentação rica em carboidratos e açúcar”.
    Quando vê uma “penitência” sugerindo comer meia sobremesa ou fazer 15 minutos de exercício físico, reclama.
    Nem Froid explica esse povo.

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  3. Será que ñ são forçados a permanecer pelo medo de se perderem ?
    Medo de ir para o inferno ?
    Medo do mundo horrivel cheio de pecado?
    Medo das pessoas mundanas?
    Reze para essas crianças e jovens perder o medo e confiar em Deus.

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    1. Esse mundo cheio de mimimi e gente fresca, vai impor medo em quem está com Deus?
      Não lembro de ter vivido com ‘medo’ lá não, pelo contrário, eu não tinha nem 10% do stress que tenho aqui fora.
      Se alguém ficar nos Arautos à base de ‘medo’, já perdeu totalmente o mérito, e nem entendeu nada do propósito da entidade.
      Talvez os mais burrinhos e mentalmente limitados fiquem lá por conta de medo. Nesse caso aí, concordo que saiam mesmo, pois só atrapalham os demais.

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      1. Vc esqueceu das meninas possesas tem certeza que estão com Deus ? Vejo que deve ser um ser de luz e um enorme thau e muito inteligente pois conseguiu sair de lá .
        com uma tremenda vocação de mentiroso(a) criança sempre tem medo principalmente das estorinhas bizarras que eles contam ou vc ñ foi criança kkkkk

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        1. Se criança sempre tem medo, então tanto faz estarem dentro ou fora dos Arautos, vão ter medo de qualquer jeito kkk.
          Entrei com 13 anos, e não lembro de ter tido medo, pelo contrário, queria cada vez mais estar lá, pois me dava uma felicidade intensa, diferente do tédio q era minha casa.

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        2. E se teve meninas ficaram possessas, isso tambem não quer dizer q estão longe de Deus. Pelo contrário, o diabo só tenta quem não é dele, e não inferniza quem já pertence a ele.
          Mas eu acreditei somente em um dos casos, os outros pareciam show de adolescente querendo atenção.

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        3. Vai me perdoar, Luis Antonio, mas você não tem a mínima noção das razões pelas quais aquelas meninas ficaram possessas, portanto, melhor não entre por aí…. Às vezes as coisas não são tão simples como parecem… Aliás, é um assunto que acho engraçado, na seita anti-Arautos tem duas vertentes. Os que acham que aquelas possessões eram teatro para endeusar Mons. João, e os que acham que eram reais, mas consequência do mal que já no grupo… Sempre houve diferenças entre saduceos e fariseus…

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        4. A possessão é fator espiritual individual onde não depende de fatores externos para acontecer. A possessão está ligada as escolhas não virtuosas que possuído teve durante a sua vida não há pois como conectar o fato de meninas religiosas se tornarem possuídas com a instituição que elas pertencem. Não obstante durante toda a história religiosas,padres, fiéis e até mesmo Santos aqui (casos permitidos por Deus) foram possuídos por demônios e nem por isso o fato em si os condenaram como pessoas más e já condenadas. O debate a fervorado faz com que esqueçamos o ponto crucial dessa narrativa os demônios existem ! Sendo assim seja religioso ou não cuidemos para não irmos para no mesmo lugar que eles pois possessão existe o exorcismo e uma vida a ser recuperada mas sair do inferno não tem volta.

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          1. Sim, por sinal, o que a doutrina católica diz é que a possessão pode provir de três causas: culpa do possesso, ações externas (como feitiços, etc), ou desígnio divino. Também pode haver combinação delas…

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  4. Para os terciários da minha cidade também seria muito bom uma flâmula preta de silêncio.

    Eu até voltaria a frequentar a sede se implantassem isso.

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    1. Será que ñ são forçados a permanecer pelo medo de se perderem ?
      Medo de ir para o inferno ?
      Medo do mundo horrivel cheio de pecado?
      Medo das pessoas mundanas?
      Reze para essas crianças e jovens perder o medo e confiar em Deus.

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      1. “Medo do mundo e das pessoas mundanas”? kkkk
        Esse mundo cheio de choramingo e gente fresca, vai impor medo em quem está com Deus?
        Não lembro de ter vivido com ‘medo’ lá não, pelo contrário, eu não tinha nem 10% do stress que tenho aqui fora.
        Se alguém ficar nos Arautos à base de ‘medo’, já perdeu totalmente o mérito, e nem entendeu nada do propósito da entidade.
        Talvez os mais burrinhos e mentalmente limitados tenham medo.
        Nesse caso aí, concordo que saiam mesmo, pois só atrapalham os demais.

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