Sobre Capítulos e ‘clericalismo’

Hoje vamos dar uma esmerilhada em um outro texto contendo críticas à realização de capítulos. À primeira vista, parecia ser um material mais interessante, que se diferenciava em meio aos relatos romantizados, lamúrias e raivosidades insanas que brotam lá na seita anti-arautos. Mas aos poucos, infelizmente, percebemos que esse texto não é lá essas coisas.

Vamos ver parágrafo por parágrafo. O texto começa assim:

OS ARAUTOS DOS EVANGELHO não são uma ordem religiosa. Seus estatutos foram aprovados pelo Conselho pontifício para os Leigos como uma associação privada de fiéis. Todos os membros dos Arautos, com exceção dos sacerdotes e os diáconos, são leigos.

Ok, a afirmação acima é correta mesmo. O que não faz muito sentido é a conclusão que vem a seguir:

Os jovens que passaram por um capítulo de faltas tem o direito de acharem que foram humilhados. O sentimento de humilhação e de medo é comum para esses jovens (muitas vezes menor de idade) que não tem o direito de exprimirem-se.

‘Sentimento de humilhação e medo’ – no tocante a capítulos, essa narrativa ‘mimizenta’ já foi desmascarada por uma irmã num post anterior.

No mais, não entendemos o que o ‘direito de acharem que foram humilhados‘ teria a ver com fato de os arautos serem leigos.

Continua o texto:

Essa atitude de não admitir nenhum erro diante do sofrimento de uma pessoa, se chama CLERICALISMO. O Papa Francisco falou muitas vezes nos últimos meses a respeito disso, como sendo uma das fontes dos abusos que existem na Igreja. Vítimas têm o direito de falar o que sentiram. VÍTIMAS DEVEM SER ACOLHIDAS E BEM RECEBIDAS.

Bom, no primeiro parágrafo dizem que os Arautos são leigos, e agora acusam eles de terem um problema chamado clericalismo – a própria palavra ‘clericalismo’ se refere ao CLERO. Então, qual é o sentido de começar o texto afirmando que os Arautos são leigos, e depois acusá-los de um problema próprio do clero?

Sobre vítimas, é claro que devem ser acolhidas, mas desde que sejam realmente vítimas, e não pessoas adestradas para serem vítimas – aquelas que, na época em que dizem ter sofrido ‘abusos’, estavam alegres e saltitantes, vindo a se tornar ‘sofredoras’ só muitos anos depois, após serem submetidas a um bombardeio de sugestões maliciosas, promovidas por inimigos capitais dos supostos abusadores.

Continuemos a analisar o texto.

Os abusos de todo tipo estão sendo denunciados pelo mundo interno. A leitura da exortação apostólica pós-sinodal Christus Vivit do Papa Francisco de 25 de março de 2019 fala nesse sentido. Nela o Santo Padre enumera muitas formas de abusos e da importância de erradica-los da Igreja. O ponto 98 deve ser meditado:

[Existem diferentes tipos de abuso: abusos de poder, econômicos, de consciência, sexuais. Torna-se evidente a tarefa de erradicar as formas de exercício da autoridade nas quais se entroncam aqueles, e de contrastar a falta de responsabilidade e transparência com que foram geridos muitos casos. O desejo de dominação, a falta de diálogo e transparência, as formas de vida dupla, o vazio espiritual, bem como as fragilidades psicológicas constituem o terreno onde prospera a corrupção».[53] O clericalismo é uma tentação permanente dos sacerdotes, que interpretam «o ministério recebido mais como um poder a ser exercido do que como um serviço gratuito e generoso a oferecer; e isto leva a julgar que se pertence a um grupo que possui todas as respostas e já não precisa de escutar e aprender mais nada».[54] Sem dúvida, o clericalismo expõe as pessoas consagradas ao risco de perderem o respeito pelo valor sagrado e inalienável de cada pessoa e da sua liberdade.]

Da leitura desse trecho, é possível ver Francisco enfatizando que é um problema do CLERO – “o clericalismo é uma tentação permanente dos sacerdotes”. Então continuamos sem entender porque começaram o texto ressaltando que os Arautos são leigos.

Com relação aos problemas que ele aponta, podemos dizer que NÃO vivenciamos nos Arautos nenhum ‘vazio espiritual’, nenhuma ‘corrupção’, nem ‘vida dupla’. Não consideramos o seguimento dos conselhos evangélicos nenhum tipo de abuso, e não achamos que a Igreja esteve errada nos seus 2.000 anos de existência, conforme argumenta essa geraçãozinha atual (que nasceu ontem e acha que entende todos os segredos do universo).

Continuando:

Os Arautos gostam de comparar os capítulos deles e a prosternação no chão de quem está sendo capitulada, com os capítulos de faltas das ordens religiosas que existiram no passado e a prosternação na cerimônia de ordenação sacerdotal. Porém são duas coisas completamente diferentes.

Como já foi dito, os Arautos não são uma ordem religiosa. A maioria das ordens religiosas transformaram os capítulos de faltas, seguindo as sabias orientações do Papa São Paulo VI no seu decreto Perfectae Caritatis de 1965. Fazer uso de uma tradição medieval pode ser imprudente no século XXI. A igreja já entendeu isso!

A prosternação na cerimônia de ordenação sacerdotal provém de uma longa tradição ainda em vigor hoje em dia na Igreja Católica. Não pode ser comparado com o que acontece nos capítulos dos Arautos.

Vale a pena ler o decreto de São Paulo VI, de 28 de outubro de 1965, sobre a conveniente renovação da vida religiosa. E de tomar em consideração que os Arautos são uma associação de leigos.

Sério que as prosternações são coisas diferentes e não podem ser comparadas? Então digam por que são diferentes. Ficaremos esperando.

Quanto a dizer que ‘usar essa tradição medieval pode ser imprudente‘, e que ‘a igreja já entendeu isso‘, valeu pelo aviso! Vamos dar um jeito de fazer chegar isso lá nos Arautos, quem sabe eles se tocam.

O problema é que, quando S. Paulo VI pretendeu ‘renovar a vida religiosa’, não parece que ele tenha desejado especificamente abolir capítulos – aliás, a princípio, nenhum documento do concilio promove rompimento com a tradição de 2000 anos da Igreja, e sim uma pretensa adaptação (que em muitos lugares acabou virando uma baderna).

O texto fala que uma suposta “maioria das ordens religiosas transformaram os capítulos de faltas”. Se foi a maioria (embora os autores não tenham mostrado a fonte dos dados), significa que não foram todas. Assim sendo, gostaríamos de perguntar (já que eles possuem dados sobre as mudanças da vida religiosa), como foi a evolução das ordens religiosas que aboliram os capítulos de faltas, comparada como aquelas que não os aboliram. Nas primeiras, houve crescimento de vocações, ou estão prestes a sumir em questão de tempo? Nas segundas, que permaneceram fiéis ao seu estilo ‘raiz’ – mantendo ativos regimes e costumes que certamente surgiram do espírito de seus fundadores – será que continua o vigor típico das obras inspiradas pelo Espírito Santo?

O que podemos dizer é que o então Cardeal Ratzinger, no colóquio com Vittorio Messoli (livro Rapporto sulla fede), afirmou que bastaria ver os dados e estatísticas da Igreja para ver o que aconteceu com as ordens que se ‘modernizaram’ indiscriminadamente, em comparação com as que se mantiveram fiéis a alguma tradição. As que romperam com suas raízes simplesmente entraram numa crise sem precedentes de vocações. Aqui vale a máxima ‘não mexer em time que está ganhando‘. Por que motivo iriam os Arautos se espelhar em ordens que estão se evaporando?

E, uma vez mais, sobre a afirmação de que “arautos não são ordem religiosa, arautos são leigos“: isso não passa de uma outra versão da mesma implicância maluca com a devoção a santos em vida ou não beatificados.

Essas pessoas precisam entender que a Igreja não ‘estabelece’ artificialmente nem santos, nem carismas, nem comunidades, nem ordens religiosas – ela simplesmente chancela, reconhece, quando já são evidências, realidades. Assim, para que um santo seja canonizado, é necessário que haja gente previamente devota, rezando a ele, pedindo graças por intercessão dele – e aí, ocorrendo a devoção, ocorrendo milagres, e havendo comprovação das virtudes, a Igreja chancela essa devoção por meio da canonização.

A mesma lógica vale para as ordens religiosas! Primeiro nascem as comunidades, os costumes, e depois eles são acolhidos pelo direito canônico.

Por que raios então somente uma ordem religiosa ‘constituída’ pode realizar capítulos de faltas? Por causa do ‘alvará de funcionamento’?

No caso dos Arautos, a Igreja os acolheu como associação de fiéis, e depois, de dentro deles, formaram-se as Sociedades de Vida Apostólica. E assim a vida segue.

Finalmente, ainda sobre a acusação de ‘clericalismo‘ (destinada aos padres), encerramos com algumas fotos retiradas da internet, nas quais padres Arautos talvez estejam exercendo o sacerdócio “mais como um poder a ser exercido do que um serviço gratuito e generoso a oferecer”, cheios de “desejo de dominação, vazio espiritual, e fragilidades psicológicas”…

Fiquem com Deus.

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Por C.G.C

9 comentários sobre “Sobre Capítulos e ‘clericalismo’

  1. Tudo que li está perfeito! Eu vejo que os Arautos são sérios! Gosto de ler tudo que publicam! Sao Comprometidos! Meus parabéns!

  2. O que fica cada vez mais claro nesses ataques é que não se trata exclusivamente de ódio aos Arautos do Evangelho e ao seu carisma, mas a tudo o que essa fiel Instituição é e representa. É evidente que tudo o que toca na Igreja Verdadeira de NSJC, na Santa e multimilenar Igreja Católica Apostólica Romana causa todo esse rebuliço. Nada disso é novidade… Entretanto a Igreja Triunfará!

  3. Também não sei porque tanto incômodo com a prosternação. Não tive o mesmo problema do Sr Pernambucano e saí bem aliviado do meu capítulo.

    O que não entendo, também, é porque gastar tanta munição com essas acusações incoerentes e esdrúxulas.

    Acho que la na “seita anti-arautos” é muito pior: se eles acham uma pessoa “errada” eles nem capitulam. Eles excluem.

  4. Sr. Moderador, faça uma pesquisazinha na internet para colocar fotos semelhantes de padres normais… acho que vai demorar um pouquinho em conseguir… e sobretudo não serão tão lindas e autênticas…

    1. Não entendo o motivo pelo qual se incomodam tanto com prosternação, pois Francisco prosternou diante do presidente do Sudão e o mundo inteiro bateu palmas( exceto uma minoria)

  5. Mas que implicância esses caras tem com a prosternação!
    Eu fui capitulado e achava até melhor ficar prosternado, pq não precisava ficar olhando para os outros, nem os outors me vendo.
    É quase igual um buraco para enfiar a cabeça, igual avestruz kkkk
    Eu não tive nenhum incômodo, a não ser pelo meu nariz que é grande e ficava dificil manter muito tempo apoiado na posição certa kkkk

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