Terapias, ajustes & desajustes

Após algumas semanas sem postar nada, gostaríamos de iniciar agradecendo a Deus por não padecermos da tagarelice – um problema bastante atual, e que, sem dúvida, atinge nossos sempre frenéticos adversários(as). Segundo Plutarco, o tagarela padece de surdez involuntária, pois, sendo incapaz de se calar, é também incapaz de ouvir: “os tagarelas não ouvem ninguém, já que estão sempre falando“. Sem acesso à palavra alheia, o tagarela nunca admite o remédio para sua doença.

Passado o agradecimento inicial, vamos ao assunto de hoje.

No grupo de pessoas que tem por objetivo difamar os Arautos, muito se diz sobre temas como ‘pressão psicológica’, ‘alienação’, ‘modelagem’ de caráter, etc. Como já dedicamos um post a desmistificar a famigerada ‘lavagem cerebral‘, hoje vamos colocar alguma coisa a respeito da suposta ‘psicologia do ex-arauto‘.

Há alguns familiares hostis que afirmam terem metido os filhos em tratamento psicológico após sua saída dos Arautos – principalmente com o objetivo de ‘reajustá-los’ à sociedade.

Sobre essa questão, apresentamos alguns trechos de ensinamentos do Venerável Fulton Sheen, bispo norte-americano falecido em 1979, e que foi um grande pregador do rádio e da televisão. No Archbishop_Fulton_Sheenseu livro “Aprendei a Amar” (Editora Educação Nacional, Porto, 1958), esse sábio prelado ensina que aquilo que gera o conhecimento realista de si mesmo não é tanto o divã, mas sim a auto-reflexão: ou seja, aquilo que nós católicos chamamos de ‘exame de consciência’ (aliás, algo rotineiramente praticado nos Arautos). Os seguintes trechos foram retirados do livro:

Há séculos, um filósofo grego, de nome Tales, disse: “Conhecer-se a si próprio é a mais difícil de todas as coisas do mundo”. Mais tarde, essa frase ficou resumida ao ‘Conhece-te a ti mesmo”, escrito em letras de ouro no templo de Delfos.

[No busca por esse conhecimento], a psicanálise não tem em conta a responsabilidade, o que, sob o ponto de vista moral, é uma fuga.  Na psicanálise – que é boa como método, e ruim como filosofia – não há necessidade de emenda. Quando muito, apenas praticamos um erro; mas isso não envolveria a nossa personalidade.

A auto-reflexão, pelo contrário, leva-nos à descoberta do ‘eu’ real e impõe-nos que sejamos perfeitos nas nossas profissões. Um jogador de tênis, reconhecendo os seus defeitos, gastará horas a corrigir-se. Um violinista, que não consegue dar uma arcada perfeita, levará dias e dias, em exercícios, até a dar com firmeza.

Na mais alta ordem do caráter, a da salvação da alma, deveríamos gastar, pelo menos, o mesmo tempo, de forma a conseguirmos a paz interior.

A auto-reflexão, ou autoconhecimento, realiza-se pelo exame da nossa consciência.

Fazemos uma investigação devota a respeito do nosso orgulho, da nossa luxúria, da nossa cólera, da inveja, da glutonaria e da nossa preguiça. Examinamos os nossos motivos, as nossas preferências, as razões por que fazemos as coisas que nos parecem boas, e inquirimos acerca da divindade e da pureza dos motivos.

Para que esse exame seja frutuoso não basta ter um código, uma ética, uma regra de vida, nem fazê-lo num plano psicológico. A insuficiência do contato psicológico é evidente.

Aqueles que empregam a psicologia em vez do autoconhecimento dizem que devemos integrar-nos em nós mesmos.

Mas como pode um vaso quebrado consertar-se a si mesmo? É o cego capaz de conduzir outro cego?

E aqui, ele diz qual deve ser o parâmetro de ajuste da mente humana:

Dizem alguns que devemos adaptar-nos à sociedade; mas é também um fato, que essa também precisa de um ajustamento. Há milhões de indivíduos exatamente como nós. Uma das razões porque não temos paz interior é a de nos ajustarmos demais à sociedade.

O padrão de ajuste não pode estar dentro de nós. Os nossos relógios tem que ser acertados pelo Sol. Quando uma bússola se desmagnetiza, é preciso voltar a magnetizá-la, afinando-a com o polo magnético.

Para que exista o autoconhecimento, devemos comparar-nos a outra pessoa.

Ora, antes de descrevermos o que essa pessoa é, note-se a tremenda influência que sobre nós exerce a presença duma criança inocente. Olhando para ela podemos reconhecer o quanto perdemos ou o quanto nos conspurcamos.

Quanto mais nobre for o padrão da pessoa que nos serve de confronto, mais claro é o exame que de nós próprios fazemos.

Procuramos sempre uma pessoa-padrão fora de nós, pela qual possamos julgar-nos. Esta não deve ser nunca uma pessoa imperfeita. Deve ser antes alguém que encarne a Verdade, que encarne a Beleza. E essa é a Pessoa de Deus em forma humana.

Confrontarmo-nos com nossos vizinhos é o mesmo que examinarmos uma pintura à luz duma vela. Parecemos sempre melhores do que somos. Mas à plena cintilação do Sol, todas as imperfeições, descolorações e defeitos ficam à vista.

Toda pessoa normal, se tem em vista o desenvolvimento de seu caráter, segundo as linhas da moral reta, ganhará mais em cinco minutos de joelhos do que em sessenta horas reclinada numa poltrona.

Aplicando essas palavras à situação que às vezes presenciamos, podemos acreditar que boa parte dessa imposição de ‘terapias’ sobre alguns jovens que foram retirados dos Arautos é apenas uma questão de trocar um padrão (Cristo) por outro (a sociedade).  Isso não chega a ser nenhuma ‘cura’ ou ‘conserto’ propriamente dito, mas apenas um desajuste em relação àquele que é o Caminho, a Verdade e a Vida… Uma questão de ponto de vista, onde, de um lado, temos uma referência perfeita, e de outro, criaturas imperfeitas, incluindo aí a do próprio ego.

Finalmente, voltando ao texto, vemos que Fulton Sheen até parece descrever a mente de certos ‘amantes dos conflitos’, que, incapazes de olhar para seus próprios defeitos, não deixam de investir esforços ‘guerreiros’ contra os Arautos:

Quando travamos guerra contra o mal em nós, diminuem ao mesmo tempo as guerras exteriores. A razão por que vivemos num século de guerras é a de nos descurarmos no travar da batalha interior, contra as forças que destroem a mente e a alma.

Aquele que não descobrir o inimigo dentro de si, encontra-lo-á, sem dúvida alguma, fora.

(Fulton Sheen, Aprendei a amar, Editora Educação Nacional, Porto, 1958, p. 16-18)

3 comentários sobre “Terapias, ajustes & desajustes

  1. Aqueles que não combatem o próprio orgulho,vaidade,inveja,impureza têm a propensão de odiar e atacar os que combatem em si esses pecados e que procuram se santificar.É a principal causa dos ataques aos Arautos,pois os Arautos estão sempre procurando a perfeição moral.

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  2. Realmente, eu não tinha percebido o assunto sob esse aspecto.

    Esse pessoal antiarauto dá a desculpa que a terapia é para retirar a influência do ordo e da vida comunitária cheia de programações.

    Mas sejamos francos, o Ordo é a coisa mais fácil de esquecer e ser deixada de lado. Até mesmo dentro do próprio Grupo há pessoas que deixam de lado o ordo e o cerimonial, e vivem de forma acomodada, às vezes até relaxada (eu mesmo fui um desses).

    Portanto, para deixar de lado e esquecer o Ordo, nenhum esforço é necessário.

    O mesmo não se pode dizer da formação doutrinária.

    Portanto, é claro que esse esforço para ‘reformatar’ a mente de ex-integrantes é apenas para arrancar os ideais cristãos, a doutrina católica, enfim.

    E nisso eu vou mais além do que afirmaram aí: acho que isso chega a ser crime de intolerância religiosa, e de violação da liberdade de consciência! Estudem esse aspecto e vejam se não é o caso de enquadrar esses (e essas) delinquentes!

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