A ‘Sempre-Viva’, ou Sagrada Escravidão

Dentre os assuntos que sempre circulam a respeito dos Arautos do Evangelho e da obra em geral de Plinio Corrêa de Oliveira, sem dúvida o da ‘Sempre Viva’ é um dos que mais causam ruído. Só que, para infelicidade dos conspiracionistas, dos alucinados e demais paranoicos anti-aráuticos, ele é extremamente simples de ser explicado.

Já tratamos, em um post anterior, acerca da diferença entre a escravidão pagã e a escravidão cristã. Agora vamos então falar da lógica por trás da ‘Sempre-Viva’: uma expressão que foi criada para designar o fato de discípulos de Dr. Plinio realizarem a Consagração a Jesus Cristo, a Sabedoria Encarnada, pelas mãos de Maria, por intermédio de seu fundador.

Assim como nos votos de pobreza, castidade e obediência – que são oferecidos a Deus, mas que são geridos diretamente pelo superior hierárquico – a ‘Sagrada Escravidão’ é a realização da Consagração a Maria, no método de São Luis Grignion, tendo como ‘senhor imediato’ o superior ou fundador – no caso, Plinio Corrêa de Oliveira ou Mons. João Clá Dias. Conforme transcrevemos em outro post, já dizia São Bento, em sua Regra: a obediência prestada aos superiores é tributada a Deus.

O problema é que, assim como há protestantes que não entendem como se pode colocar Maria como intercessora entre nós e Jesus Cristo, também há católicos que não possuem massa cinzenta suficiente para entender que, entre nós e Maria, também podemos colocar intermediários, de modo a facilitar que cheguemos até Ela, e, consequentemente, a seu Filho Jesus.

Isso é como acrescentar mais degraus intermediários na escada que leva até Deus, facilitando a subida. Ou então é como alguém que, estando em determinado front, obedece fielmente a um coronel, ou mesmo a seu sargento, sem que isso implique em rebeldia em relação ao general ou marechal – com os quais ele não tem contato direto. Qual o problema que essa gente tem em entender isso?

Consagrando-se voluntariamente a Maria pelas mãos de seu Fundador, ocorre uma fusão de responsabilidades, que facilita a vida do religioso, e, no fundo, reproduz a vontade do próprio Cristo:

O pacto de obediência que une [o abade] a seus discípulos realiza uma verdadeira transferência de vontade e de responsabilidade: daí em diante o abade é o único a querer e agir, seus filhos lhe deram sua liberdade de uma vez por todas. Mas o abade autenticamente representa Cristo, que prometeu estar com ele, assim como com os outros doutores, ‘todos os dias, até a consumação dos séculos’. Donde ser o próprio Cristo que atua nos atos dos monges obedientes, ‘e no dia do Juízo o diabo não terá nada em nós que ele possa reivindicar, desejoso de tomá-lo consigo para a geena, uma vez que o Senhor terá sempre ‘realizado em nós’ ações que Ele julgou dignas da glória (Regra do Mestre, I, 91-92). O religioso obediente poderia então dizer, parafraseando São Paulo: ‘Não sou mais eu que faço, é Cristo que faz por mim’ (Adalbert de Vogué OSB, La Paternité du Christ, dans la Regle de Sanit Benoit et la Regle du Maitre, in la Vie Spirituelle, n. 501, janvier 1964, p.66-67)

Assim, foi com esse espírito que, em meados da década de 1960, surgiu a chamada Sagrada Escravidão, popularmente conhecida como ‘Sempre Viva’. A partir daí, para aqueles que pediam, Plinio Corrêa de Oliveira, além de pai e fundador, passava a ser também ‘senhor’.

plinio correa de oliveira 60

Por fim, uma vez feita essa consagração, como ela pode ser cessada? Exatamente da mesma forma que termina a Escravidão a Maria:

“[A escravidão de amor] é um vínculo de dependência que nós aceitamos em relação a Nossa Senhora: nós A amamos tanto e temos n’Ela uma tal confiança, que nós queremos fazer tudo que Ela quer, como o escravo faz tudo o que seu senhor mandar. É uma dependência de amor; não é imposta pela força. É feita por amor.

Essa consagração não é um voto, não obriga sob pena de pecado. É um ato livre que cada um faz livremente, e vale na medida que for livre e a pessoa continue nessa consagração o tempo que queira.

No momento infeliz em que a pessoa não queira mais esse vínculo com Nossa Senhora é só chegar a Ela e dizer: ‘Mãe de Deus — já não vos digo minha Mãe —, tudo acabou’.

Mas o fato é que não há nem sequer pecado: cessado o amor, cessa o vínculo”.

(Plinio Corrêa de Oliveira, Santo do Dia de Sábado – Auditório São Milas — 28/4/1973)

O que pode haver de ‘terrível e atentatório’ à dignidade humana num vínculo assumido de forma inteiramente livre, e que cessa pela simples ausência de amor de uma das partes? Qualquer pessoa com um mínimo de senso comum (cada vez menos comum) será capaz de julgar…

(Continua)

32 comentários sobre “A ‘Sempre-Viva’, ou Sagrada Escravidão

  1. Em certa ocasião, Dr. Plínio escreveu à Monsenhor João: “Manda a justiça que eu diga: Ninguém me deu tantas e tantas grandes alegrias como você”.
    O mesmo devemos dizer ao senhor!

  2. Sou Consagrado como Escravo de Maria Santíssima, e de meus santos de devoção, (Santo Antônio e São Geraldo) ao meu anjo da Guarda a Santa Terezinha do Menino Jesus Ao Sagrado Coração de Jesus, enfim muitos e de coração também sou escravo daquele que me ensinou entender e amara a Santa Igreja Católica Apostólica Romana, q antes de conhecer os Arautos não saia sequer os 10 mandamentos, pois como gostaria de formalizar a Escravidão aos Fundadores por livre e espontânea vontade, aliás a vontade neste caso e Só Espírito Santo!

  3. Nossa! Lindo demais isso, deu até vontade de fazer. Excelente explicação, até difícil entender a implicância com isso….Lindo demais. Ah….acho que é por isso.
    Se fosse para se consagrar ao demônio e coisas afins não daria tanto ruído…

  4. Só me faz lembrar de São Francisco Xavier com seu fundador Santo Inácio de Loyola, a quem se referia “Meu doce cristo na terra!
    Padre Antônio Royo Marin /Doutor e Canonista do vaticano(falecido) já até se pronunciou sobre isso que e totalmente louvável… Quem a isso se fundamenta vai contra o catecismo da Santa Igreja e seus Santos

    1. Olá!

      É só voltar no texto acima e ler a parte onde diz que o pacto de obediência realiza uma “verdadeira transferência de vontade e de responsabilidade: daí em diante o abade é o único a querer e agir”

      É isso. 🙂

      1. Como faria p “nomear” Monsenhor João Clà como meu senhor, uma vez q já fiz a consagração à nossa senhora nos Arautos (contemplação) e lá frequento até hj ?!

      2. Não entendo como tem gente tão escrava do mundo , dos coisas … Dos filhos( que hoje são verdadeiros tiranos para com os pais)
        Escravos da moda… Escravos das redes sociais, e tantas outras coisas…
        E se incomodam com um ato completamente de desapego de si mesmo… E se entregam a uma Causa superior e digna!!!
        Realmente tá tudo virado!!!!

  5. Eu gostaria de colocar minha escravidão a Nosso senhor e a Nossa Senhora nas mãos do Mons.João Clá.O problema é a timidez e a impressão de que não seria aceito.Sei que alguns não foram aceitos.

      1. Vou criar coragem e pedir para ser aceito como escravo pelas mãos do Mons.João Clá e vou pedir à Sra.Da.Lucília e à Irmã Lívia para removerem os obstáculos.Obrigado.

  6. Ocorre que muitos não compreendem a verdadeira natureza da TFP, pois, embora formalizada como sociedade civil, para atender a burocracia do Estado, na verdade, internamente, sempre funcionou como se uma ordem religiosa fosse. Todos os seus membros católicos praticantes, a grande maioria celibatária, o que os levou até a profissão de votos temporários de castidade e pobreza. O surgimento dos Arautos do Evangelho, enquanto associação religiosa, parece-me haver sido uma consequência natural, no que pese a resistência e rejeição de alguns.

    1. Inclusive, para quem não sabe, o príncipe Dom Bertrand de Orleans e Bragança foi um dos integrantes da ‘Sempre-Viva’. Ele e o irmão Dom Luís fizeram a consagração à Virgem pelas mãos de Plinio.

      1. Haverá remédio melhor contra o orgulho humano? Aquele que leva essa escravidão a sério, de certo, estará no caminho do alcance da verdadeira humildade, necessária a salvação eterna!

  7. Em geral, esse pessoal que combate esta forma de consagração tem subentendido que isso fere o livre arbítrio, mas não sabe expressar-se claramente sobre o tema. Por isso fazem acusações disparatadas e sem fundamentos razoáveis. Pelo mesmo princípio de que se respeita o livre arbítrio é a consagração do monge ou de qualquer religioso, conforme fala o site acima, e de uma forma mais íntegra, pois é entregue ao superior a própria vontade com os votos de obediência. Foi vendo nisso a coisa mais normal do mundo que o medieval tentou fazer na vida laica uma consagração parecida com a do religioso conventual ao fazer uma espécie de “votos” de entrega a um senhor, a base do feudalismo. E o servo da gleba ou o servidor daqueles senhores nunca foi visto pela igreja como um escravo sem dignidade. Pelo contrário, aquela entrega, feita de uma forma explícita, era tida como coisa não somente normal mas até aconselhável. Então, começando hoje com a escravidão a Nossa Senhora (algo puramente espiritual) usando para isso de um intermediário, nada há de ofensivo aos direitos humanos ou ao livre arbítrio se futuramente esta entrega, espontânea, fazer até mesmo com que a pessoa se torne escravo voluntário. A escravidão tornava-se opressiva quando era imposta, como nos pagãos, tirando da pessoa todos os direitos sobre si, até mesmo o direito à vida. No Evangelho diz que Nosso Senhor fez-se escravo até à morte, e é o modelo da mais perfeita escravidão, não uma escravidão virtual, meramente espiritual, mas concreta e terrena, de tal sorte que entregou sua própria vontade ao Pai e aos ditames dos homens.

  8. Olá, bom dia!
    Salve Maria a todos!
    Meu nome é Cláudio Almeida, o meu simples depoimento é dizer que: hoje sou verdadeiramente Católico Apostólico Romano graças aos Arautos do Evangelho.
    Minha vida na igreja hoje tem muito sentido depois que conheci essa maravilhosa Instituição.
    Quando tive conhecimento sobre a vida dos fundadores, aí sim fiquei entusiasmado e feliz por saber que a Santa Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo Reina triunfante e que os portões do inferno nunca prevalecerão contra Ela.

  9. Tenho a honra de ser consagrada e ser escrava de Maria. Depois que li a obra de Dr.Plinio Corrêa e vi o Amor e dedicação que ele tinha por Maria,não tive dúvidas,coloquei minha vida nas mãos dela. Foi a melhor escolha que já fiz na minha vida. Hoje faço parte desta família Arautos do Evangelho,e sigo os ensinamentos do nosso fundador Senhor Doutor Plínio.

  10. Diria que, minha consagração, dita “escravidão de Amor” foi para mim uma liberdade de entrega de tudo que tenho e tudo que sou, nas mãos de Meu Senhor, através de Nossa Senhora, Mãe nossa. Escreveria um livro só de testemunhos sobre tal escravidão, que na verdade É LIBERTAÇÃO.

  11. É de fato tão simples entender tal escravidão de amor… É como quem passa por uma doença grave, ou tem um ente querido que falece, e todos dirão: _ah, sei bem como é!! quando na verdade só sabe quem passa, assim como, só entende e sente tal escravidão DE AMOR quem de fato AMA, no caso Nossa Senhora, Nosso Senhor, e o seu Fundador… Feliz aquele que se “acorrenta” livremente.

  12. Gostaria imensamente de poder fazer isso formalmente. Mas o faço de coração. A minha consagração à Nossa Senhora, que foi feita diante dele, coloco de coração nas mãos dele no Céu.

  13. Sendo assim, realmente é mais simples do que eu imaginava. Não existe sobreposição do líder no lugar de Deus, conforme já escutei.
    Porém, uma coisa que ainda me parece destoante é esse costume de chamar Plinio de ‘Doutor’ Plinio, pois confunde um pouco a cabeça, e dificulta para entender ele como um fundador, pois é um título mais ligado à profissão que à religião.

    1. A forma de se dirigir a ele como “Dr. Plinio” decorreu do fato dele ter sido advogado nos primeiros anos de sua vida pública, e foi a forma que ele ficou conhecido nos meios civis e eclesiásticos.
      Existia também um grupo menor de pessoas que se referiam publicamente a ele apenas como ‘Professor’ Plinio, o que, por sinal, limitava bastante a visão da missão que ele realmente tinha.
      Depois, as pessoas que se consagravam a Maria nas mãos dele (Sempre Viva), passaram a se referir a ele como ‘meu senhor’ (para dirimir dúvidas de eventuais inquisidores que achem ser isso um tratamento exclusivo a Deus, lembramos que ‘meu senhor’ refere a uma relação de suserania – em inglês existe a palavra ‘mylord’, em francês ‘mon seigneur’).
      Para nós, sem dúvida é o melhor título para ele, enquanto fundador de uma instituição com espírito de cavalaria…

      Mas o fato é que o título mais utilizado internamente é ‘Senhor Doutor Plinio’. Depois da institucionalização de sua obra do ponto de vista espiritual (anos 60/70), e talvez decorrendo indiretamente da Sempre Viva, os discípulos em geral passaram a se dirigir a ele acrescentando o título ‘senhor’ ao de ‘doutor’, tanto pelo fato de ser um tratamento mais respeitoso (existe, por exemplo, o protocolo oficial de se dirigir a autoridades como ‘Excelentíssimo Senhor, Doutor Fulano de tal’) mas também para ressaltar o fato dessa primazia espiritual dele em relação aos discípulos.
      Assim, até o presente momento, quem o vê como Pai e Fundador chama-o de ‘Senhor Doutor Plinio’.
      O título ‘Dr. Plinio’ ficou sendo usado apenas para fins de obras mais formais, de público externo, e também por alguns mais antigos que não perderam o hábito (ou que relutam ver nele um pai e fundador).

    2. Jamais em tempo algum chegarei perto de Maria Santíssima e irei dizer a Ela que desato o nó, o vinculo que tenho por Ela.Sou sua escrava ,uma escravidão de amor ensinada pelo meu pai espiritual Plínio Corrêa de Oliveira ,sacramentada pelo também meu pai espiritual Mons.Joao Clã.Se hoje faço parte da verdadeira Igreja Católica Apostólica Romana agradeço a Deus Trino que me direcionou aos Arautos do Evangelho.

  14. Essa explicação da Sagrada escravidão é a mais perfeita que já li.Resolve qualquer dúvida ou escrúpulo que alguém possa ter.Muito bem feita.Ninguém poderá objetar.Parabéns a quem escreveu esse post.

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