“Fake news” e perda do ‘lumen rationis’

Esse texto é apenas a constatação de um fato.

É assunto conhecido de todos, de que vivemos em uma época em que as chamadas ‘Fake News‘ (notícias falsas) brotam como mato. Essas notícias tendem a se espalhar mais rapidamente quando são chocantes, improváveis, e sobretudo, quando tratam de algum assunto político, ideológico, ou, claro, religioso.

Em boa parte dos casos, o autor é um oponente ou um desafeto, que prefere ficar no anonimato.

As pessoas compartilham essas mentiras sem se darem ao cuidado de verificar de onde elas procedem, quem as escreveu, e, em muitos casos, é quase inútil esclarecer a verdade, pois a notícia falsa tem a seu favor diversos fatores, dentre eles a ignorância e o analfabetismo funcional – aliás, bastante disseminados no Brasil.

Isso significa que o analfabeto funcional – aquela pessoa que passou pela escola, mas tem pouco ou nenhum discernimento e não sabe interpretar textos – é um prato cheio para engolir tudo que for repassado a ela.

Esse tipo de pessoa passou grande parte da vida auferindo informações na televisão, e, em determinado momento, passou a ter em mãos um ‘smarthphone’ com acesso a Whatsapp, Facebook e Youtube, sem nenhuma capacidade extra de discernimento. Esse é o famoso ‘tiozão do Whatsapp’, que repassa notícias sobre a ‘Ursal’, sobre confisco de aposentadorias, sobre novas leis inexistentes, etc. Um dos melhores exemplos acerca do poder malévolo das ‘fake news’ é o ressurgimento de várias doenças, graças a mães que deixaram de vacinar seus filhos porque deram ouvidos a boatos da internet.

Quase ninguém famoso escapa das notícias falsas. A coisa é tão generalizada que em Portugal chegaram até a lançar um livro só para tratar das diversas ‘fake news’ acerca do Papa Francisco.

Nesse contexto, é claro que, cedo ou tarde, os Arautos do Evangelho também seriam um campo fértil para os espalhadores e devoradores de ‘fake news’. Só que, no caso específico, essas notícias não tem atingido tanto os ‘tiozões’, mas sim ‘tiazonas’, das quais algumas tem filhos na instituição.

Enfim, cada época com sua mazela.

Alguns já chamam o século XXI de ‘Era da Pós-Verdade’ – termo utilizado para indicar a prevalência de debates onde se utilizam de insinuações, subentendidos, falta de contexto, e supervalorização de aspectos insignificantes, de forma a expor alguém à repulsa de uma espécie de ‘tribunal do povo’.

Nossa época também tem sido chamada de  ‘Era da Ignorância’, ou ‘Era da Burrice’ – algo que, em certa forma, coincide com aquilo que Dr. Plinio, nos idos de 1974, denominava como ‘perda do lumen rationis‘ (luz da razão):

O apagamento do lumen rationis: Não é mais apenas o lumen Christi, mas daquilo que é o pressuposto, ou seja, do lumen rationis. O lumen Christi está para o lumen rationis mais ou menos como o fogo está para o pavio. É a luz da razão natural, do bom senso, do equilíbrio natural, que era antigamente o patrimônio de qualquer vendeiro na esquina, de qualquer engraxate, de qualquer verdureira, e que hoje em dia se apaga dando origem a um estado psicológico em que todas as contradições, todas as incoerências, todos os absurdos são ingeridos com uma normalidade, a qual, para se lhe dar bem exatamente o nome, merece o nome de cinismo, porque o próprio do cinismo é exatamente a insensibilidade ante a verdade claramente reconhecida como tal, ante o bem claramente reconhecido como tal, ante a distinção entre a verdade e o erro e o bem e o mal (Plinio Corrêa de Oliveira, conversa 24/12/1974).

 

Ora, se contra cínicos e ignorantes é inútil expor a verdade, em certos casos é melhor levar em conta que a divulgação de notícias falsas pode configurar crime, e assim, compensa mais que determinadas respostas sejam simplesmente dadas através da Justiça. Quando a pessoa difamadora perder uma oportunidade de emprego por ter antecedente criminal, ou quando o bolso esvaziar devido a uma indenização, aí talvez ela entenda o preço de se aferrar a uma falsidade…

Um comentário sobre ““Fake news” e perda do ‘lumen rationis’

  1. Essa questão das ‘Fake News’ é tão perigosa que já notei até em pessoas simpatizantes dos Arautos a tendência a acreditar em alguns tipos de notícias falsas sobre saúde,sobre política,etc.Basta a notícia falsa vir de duas fontes diferentes para que as pessoas comecem a acreditar.Concordo que em certos casos é melhor o processo na justiça do que ficar tentando mostrar a verdade para os caluniadores.

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