“Vítimas”, entre aspas

“Nós, que somos as vítimas e os sobreviventes, tivemos de permanecer em silêncio por tempo demais. Finalmente, enfrentamos o mundo lá fora e rompemos nosso silêncio com cuidadosos sussurros. Agora, alguns de vocês nos estão ouvindo, e alguns estão acreditando. Mas existem muitos que não ouvem, e há muitos que não acreditam. Isso é uma tragédia.”

                Essas frases – que bem poderiam ser de um dos vários relatos ‘anti-Arautos’ divulgados pela mídia ano passado – são, na verdade, de um livro chamado I Known You’re Hurting (Eu sei que você sente dor), escrito por uma certa Laura Grabowski, que dizia ser sobrevivente do Holocausto.

Essa escritora tornou-se relativamente conhecida nos Estados Unidos, não só por suas ‘memórias’ de sofrimento em campos de concentração, mas também devido a relatos de abusos e de rituais que dizia ter presenciado em sua infância. Nessa condição, chegou a ser entrevistada até pela BBC, externando sempre muitas emoções.

Outra mulher também famosa ‘sobrevivente’ do holocausto foi Misha Defonseca, uma belga, que, em sua autobiografia, chegou a narrar, com crueza de detalhes, uma ocasião em que teria sido estuprada por soldados alemães num campo de concentração. Seu livro chegou a ser traduzido para 18 idiomas, e virou até filme.

O que essas duas mulheres tinham em comum? É que, nesses casos concretos, posteriormente descobriu-se que as duas eram impostoras.

Laura Grabowski era, na verdade, um pseudônimo utilizado por Laurel Rose Willson, uma californiana que, apesar perturbada mentalmente, soube faturar muito dinheiro inventando dramas imaginários sobre sua vida.

A outra, Misha Defonseca, na verdade chamava-se Monique de Wael, e passou a guerra sem maiores percalços, morando com seus familiares em Bruxelas.

Quando confrontada com suas mentiras, Monique de Wael não demonstrava arrependimento, e afirmava: “Não é a verdadeira realidade, mas é a minha realidade.

Esses dois exemplos – e muitos outros – são mencionados por Theodore Dalrymple, um reconhecido escritor e médico psiquiatra, em seu livro “Podres de Mimados: As consequências do sentimentalismo tóxico” (São Paulo, É Realizações, 2011 – título original Spoilt Rotten. The toxic cult of Sentimentality).

Comentando essas falsas reinvindicações de ‘vítimas’, o Dr. Dalrymple afirma tratar-se de pessoas que apelam a nosso sentimentalismo narrando vivências dramáticas, e que tem como verdadeiro objetivo a autopromoção. Essa meta é mais facilmente atingida quando utilizam um misto de sentimentalismo (quando se referem a si mesmos) com brutalidade (quando pintam as experiências que alegam ter vivido).

Essa dialética sentimentalismo x brutalidade, segundo Dalrymple, é um prato cheio para aqueles que tem interesse nas formas modernas de sentimentalismo e de culto romântico da sensibilidade: o novo herói da humanidade não é aquele que enfrentou adversidades terríveis mantendo o equilíbrio, mas sim aquele que chora em público narrando ter sido um sofredor…é o novo ‘herói’, a vítima.

E mais: “uma vez que uma pessoa se tornou vítima, ela não é mais responsável, psicológica, moral ou legalmente, por suas ações subsequentes” (p. 167). Dalrymple também afirma que, atualmente, “o desejo ou a ânsia de se transformar em vítima tornou-se tão grande, que as pessoas afirmam ser vítimas de seu próprio mau comportamento” (p.169).

No mesmo capítulo, o psiquiatra afirma que esse sentimentalismo decorre da visão romântica de que o homem nasce naturalmente bom, mas que a sociedade o corrompe. Assim, aquilo que seria um defeito moral, se tornou ‘condição de vítima’, e acusá-lo de seus vícios equivale a maltratá-lo. Qualquer infelicidade ou sofrimento passa a ser motivo de vitimização, e nessas circunstâncias, tornou-se vantajoso reivindicar para si a condição de vítima – tanto no aspecto psicológico quanto, às vezes, do financeiro (p. 174/175).

Ainda segundo Dalrymple, ninguém nega que realmente existam no mundo muitas vítimas do Holocausto, e muitas outras vítimas de abusos e de violências. Mas a questão é que esses grupos também tem atraído ‘autodramatizadores’ em busca de holofotes. E essas pessoas, quando se inserem na condição de falsas vítimas nesses grupos de vítimas reais, acabam por “reduzir a simpatia por aqueles que realmente sofreram, e induzem a população a um estado de cinismo” (p. 140).

O livro em questão ainda tem muitos outros tópicos e exemplos interessantes, que não colocaremos por brevidade.

De qualquer forma, pelo pouco que transcrevemos, parece que vimos uma descrição perfeita de certos personagens, ‘vítimos’ e ‘vítimas’, que não escondem o seu gostinho pelos holofotes, pelas dramatizações, e que sentem tanta aflição e revolta quando suas fábulas não comovem os outros, além de saberem muito bem se adaptarem ao seu interlocutor, alternando com toda facilidade entre as lágrimas de crocodilo, a indignação furiosa, a maternalidade protetora ou uma afetada empatia.

Agora nós já sabemos que, do ponto de vista psiquiátrico, esse tipo de gente, na verdade, atua em busca de auto-promoção, e até mesmo de dinheiro….

 

15 comentários sobre ““Vítimas”, entre aspas

  1. O mais engraçado é que as vitimistas já não tem mais vínculo algum com os Arautos, mas querem falar em nome das que estão lá. Alguém lhes pediu? Vocês tem procuração pra falar em nome de outros?

  2. mae solteira, mentirosa, vitimizada, psiquiatrica, flirteando com Ferrari…. na verdade o currículum dela nao é dos mais limpos para atacar a Igreja Católica…

  3. Bem entendido que a(s) pessoa(s) em questão padecem deste mal. Mas além disso, o artigo me chamou atenção para a existência de uma literatura a respeito. Vou procurar para ler e ter embasamento. Porque o que mais se vê hoje é gente se fazendo de vítima.

  4. Interessante que ganhei esse livro de presente de um amigo no meu último aniversário e foi colocado na fila para ser lido. Agora o interesse aumentou, fazendo-o certamente pular algumas casas. Interessante, também, a técnica do autor(a) do artigo, que sem mencionar uma única vez o seu objetivo, leva os leitores a um só conclusão: essas supostas vítimas na realidade são perversos abusadores, porque constroem toda uma narrativa que visa tirar proveito próprio colocando na berlinda ou mesmo incriminando (em sentido estrito) alguém ou algum grupo. E isso faz parte do seu jogo espúrio, porque não existe vítima sem criminoso, abusador, opressor, seja lá o que for. E até que essa verdadeira vítima consiga provar o contrário, muita, muita água terá rolado por debaixo da ponte. Mas curioso que quando ela prova, quem mais fica mal não são essas supostas vitimas, mas quem lhe deu ouvidos ou, mais aínda, quem lhes apoiou, encorajou e até financiou. Eu acho que o recado está suficientemente claro para quem sabe do que e de quem estou falando. Esse momento está chegando. A conferir.

  5. Excelente artigo.Como o mundo esta cheio de pessoas que criam um mundo fantasioso de mentiras , se dizem vitimas e ainda querem que todos acreditem que realmente são umas coitadas.Ha sempre de se ver o que esta por detrás da historia.Atrás de um conto tem sempre um ponto e este ponto nem sempre é um ponto final, pois muitas verdades podem aparecer e ai a pobre que se diz vitima se tornará o réu.

  6. Também lembrei da acusadora tentando pressionar Dom Raimundo. O que eu desconfiava agora tenho certeza. Todos os acusadores precisam urgente de tratamento psiquiátrico

  7. Agora as coisas começam a fazer sentido.
    Reparem no relato da colombiana Maria Paula Pinto ao Fantástico: quando ela terminou de falar, ela deu uma discreta risadinha.
    Podem assistir e confirmar o que eu digo.
    Acho que todo esse pessoal quer seus minutos de fama.
    A outra que ‘chorou’ no Fantástico agora está praticamente virando uma youtuber, junto com o ‘gagarejador’ do Texas

    1. O sinal de alegria, nesses casos, costuma ser por achar que enganou o interlocutor. A pessoa conta uma mentira, acha que enganou e, involuntariamente, dá sinais de satisfação.

  8. A descrição feita nesse post me fez compreender a psicologia de uma acusadora, numa conversa telefônica dela com o bispo Comissário. Ela já começa dizendo que faz parte de um grupo de vítimas dos Arautos e baseada nisso, tenta de todas as maneiras pressionar o bispo.Ela vai soltando todas as acusações que já conhecemos e que têm origem na seita anti Arautos.

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